Representatividade: saiba quem são as mulheres negras que fazem história no Brasil

Três delas são destaque em Florianópolis

Representatividade, mulher negra, empreendedorismo, mídia e inspiração são somente algumas das palavras que descrevem cada uma das mulheres escolhidas para serem apresentadas aqui, pois foram histórias como as delas que nos inspiraram a contar suas vivências pessoais e profissionais, e que fizeram com que se tornassem quem são.

A escolha por essas personalidades e o tema em questão têm o objetivo de demonstrar a força, a coragem, as lutas e a forma como essas mulheres conquistaram reconhecimento ao longo de suas vidas, fazendo com que suas vozes fossem ouvidas em lugares de destaque na atualidade. Conheça agora um pouco de cada uma dessas mulheres.

MULHER NEGRA NA POLÍTICA

Muitas mulheres lutaram e seguem lutando para conquistar espaços e reconhecimento por meio do fruto do seu trabalho. Hoje podemos ouvir a respeito, ver e reconhecer o trabalho que produzem. Na pirâmide de privilégios da nossa sociedade, as mulheres negras são as que mais sofrem com a invisibilidade.

É fundamental refletir sobre esses privilégios e questionar sobre os locais que as mulheres negras ocupam de fato ao nosso redor e fora dele. No Estado de Santa Catarina, especificamente na cidade de Florianópolis, temos um grande exemplo de mulher negra em uma área de destaque, na política. Nascida em 11 de julho de 1901, Antonieta de Barros, conhecida como Heroína da Pátria, foi uma grande jornalista, professora e escritora, defendendo uma educação de qualidade para todos.

Foto: Antonieta jovem - Fonte: Acervo Familiar. Reprodução/Maruim.Org/PISMEL, Matheus Lobo / Memória Política de Santa Catarina

Foto: Antonieta jovem - Fonte: Acervo Familiar. Reprodução/Maruim.Org/PISMEL, Matheus Lobo / Memória Política de Santa Catarina

Antonieta de Barros também foi a primeira mulher a ser deputada estadual no Parlamento catarinense e a primeira representante negra a assumir mandato no Brasil no século XX. Desde sempre, conviveu com diversos desafios e preconceitos raciais, de classe social e de gênero. Antonieta tinha como meta ser professora, objetivo este por ela alcançado, sendo considerada uma das melhores educadoras do seu tempo, especialmente na educação de jovens.

Destacando-se pela sua dedicação aos estudos e por expressar suas ideias, conquistou o seu espaço na imprensa, principalmente na luta pelos carentes e pela educação, luta travada em uma época em que as mulheres não tinham liberdade de expressão nem direito ao voto.

Além de sua notável carreira como professora, ela contribuiu com vários artigos para jornais locais e publicou em 1937 o livro Farrapos de Ideias, sob o pseudônimo de “Maria da Ilha”. A partir de 1938, Antonieta fez parte do Conselho Deliberativo da Associação Catarinense de Imprensa.

Foto: Agência AL

Foto: Agência AL

Em Florianópolis, a educadora lecionou na Escola Normal Catarinense, onde ensinava português e literatura a partir de 1934. Ela também atuou nos colégios Coração de Jesus e Dias Velho, onde foi diretora entre os anos de 1937 e 1945.

No período de 1933 a 1951, Antonieta foi professora na escola hoje conhecida como Instituto Estadual de Educação. De 1944 a 1951, foi diretora da mesma escola, tendo sido nomeada por Nereu Ramos.

Antonieta se aposentou aos 50 anos, mas continuou se dedicando ao ensino até o fim de sua vida. Sua contribuição para a educação e a literatura é um testemunho da grande paixão que nutria pelo conhecimento.

Foto: Albúm da normalista Maria Carolina Gallotti Kehrig

Foto: Albúm da normalista Maria Carolina Gallotti Kehrig

CARREIRA POLÍTICA DE ANTONIETA 

Na primeira eleição de 1934, em que as mulheres brasileiras puderam votar e ser votadas para atuar nos Poderes Executivo e Legislativo, Antonieta concorreu para uma das vagas de deputada à Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC), ficando como suplente do Partido Liberal Catarinense (PLC).

Foto: Internet/ Divulgação, image
  • Antonieta assumiu o mandato à 1ª Legislatura (1935-1937), tendo sido constituinte em 1935 e Relatora dos capítulos de Educação e Cultura e Funcionalismo.
  • Na data de 19 de julho de 1937 presidiu a Sessão da Alesc, tornando-se a primeira mulher a assumir no Brasil a Presidência de uma Assembleia Legislativa.
  • Em 1945, outra vez disputou o cargo de deputada estadual e obteve a segunda suplência do partido. Assumiu a vaga em junho de 1948 e integrou a 1ª Legislatura (1947-1951), novamente sendo a única mulher no Parlamento estadual.
  • Antonieta foi quem instituiu como lei o Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro e declarado feriado escolar (Lei nº 145, de 12 de outubro de 1948). Faleceu em 28 de março de 1952 aos 51 anos, em Florianópolis, e foi sepultada no Cemitério São Francisco de Assis, localizado no bairro Itacorubi.

    Na atualidade, Antonieta é reconhecida por suas conquistas e lutas, sendo homenageada presentemente com eventos, projetos, documentários, títulos, medalhas, programas, publicações literárias e textos acadêmicos, e assim inspirando diversas mulheres que vão poder honrar o nome Antonieta de Barros.

    MULHER EM DESTAQUE NA EDUCAÇÃO

    Foto: Rafaella Whitaker / Reitoria UFSC

    Foto: Rafaella Whitaker / Reitoria UFSC

    Joana Célia dos Passos

    É atualmente a vice-reitora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), professora há mais de 30 anos e uma intelectual orgânica do Movimento Negro. Joana possui mestrado e doutorado em educação pela UFSC, sendo responsável por coordenar a Cátedra Antonieta de Barros: educação para igualdade racial e combate ao racismo, proposta por professores e pesquisadores dessa universidade. Possui larga experiência na criação de políticas públicas para a educação, movimentos sociais e participações em lutas feministas e antirracistas.

    No ano de 2022 foi premiada pela Embaixada e pelos Consulados dos Estados Unidos no Brasil com o Prêmio Mulheres Brasileiras Fazendo a Diferença, o qual homenageia mulheres de todas as origens que estão impactando positivamente a sociedade.

    LÍDER COMUNITÁRIA TÂNIA RAMOS É A PRIMEIRA MULHER NEGRA A TOMAR POSSE COMO VEREADORA DE FLORIANÓPOLIS 

    Tânia Maria Ramos, 58 anos, mãe de 4 filhos, professora, técnica de enfermagem e líder comunitária, é a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de Florianópolis após tomar posse como vereadora da capital desde 2023. Nas eleições de 2020, Tânia ficou como primeira suplente do seu partido. Com a saída do vereador Marquito para exercer o cargo de deputado estadual, assumiu o mandato para substituí-lo.

    Tânia tomando posse como vereadora de Florianópolis no dia 27/01/2023 - Foto: Arquivo pessoal / cedida

    Tânia tomando posse como vereadora de Florianópolis no dia 27/01/2023 - Foto: Arquivo pessoal / cedida

    Entrevista posse Tânia Ramos - Vídeo: TV Câmara Informa

    Há 18 anos, Tânia integra a fundação do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), do qual foi uma das fundadoras.

    Foto: Arquivo Pessoal/ Cedida

    Foto: Arquivo Pessoal/ Cedida

    Com quase três décadas de atuação na esfera política, é uma figura feminina respeitada na defesa de diversas causas essenciais para a Capital. Tânia engaja-se na luta pela defesa da democracia, contra a intolerância religiosa, o racismo, a violência doméstica e de gênero, a LGBTfobia, o machismo, em prol das comunidades periféricas e do meio ambiente, pela garantia de serviços públicos para todos e em apoio à Sociedade Recreativa e Cultural Unidos da Coloninha, sua escola de samba do coração.

    Na gestão da Frente Popular, participou do Núcleo Gestor do Plano Diretor do Continente e foi Secretária Executiva da Secretaria Regional do Continente. Também participou de diversos movimentos em defesa da saúde e da educação, contribuindo com o movimento por moradias em locais de disputa social.

    Já integrou o Conselho Municipal de Habitação de Florianópolis, o Fórum Catarinense contra as Privatizações e o Fórum Participação Catarinense de Mulheres na Política.

    Foi assessora parlamentar na ALESC e na Câmara Municipal, presidenta da Associação Cultural Creche A Casa do Povo, na comunidade da Coloninha, membra do Conselho Municipal de Saúde de Florianópolis, além de diretora da União Florianopolitana de Entidades Comunitárias (UFECO).

    É reconhecida pela sua vasta trajetória no carnaval florianopolitano e na comunidade do samba. Desfilou pela primeira vez ainda menina na Unidos da Coloninha e desde então passou a atuar ativamente na escola.

    Na Unidos da Coloninha, foi a primeira mulher a exercer a presidência da Associação das Velhas Guardas do Carnaval de Florianópolis, vice-presidente da Escola de Samba Unidos da Coloninha e presidenta da Velha Guarda da mesma escola. Contribui com a abertura de espaços de participação e de discussão da igualdade de gênero.

    Tânia Ramos na ala de velha guarda no desfile dá Unidos da Coloninha no ano de 2023 - Vídeo: Arquivo pessoal / cedido

    Tânia Ramos na ala de velha guarda no desfile dá Unidos da Coloninha no ano de 2023 - Vídeo: Arquivo pessoal / cedido

    Foto: Arquivo pessoal / cedida

    Foto: Arquivo pessoal / cedida

    Em entrevista com Tânia Ramos, tivemos a oportunidade de conhecer melhor suas lutas, conquistas no ramo político, pautas enquanto estiver no mandato de vereadora, sua rotina na Câmara Municipal de Florianópolis, como lida com o machismo e o racismo tão interligados em sua vivência pessoal e política. Tânia também nos falou acerca da importância de pensar na cultura do carnaval, que vai muito além dos desfiles. Mais do que isso, enfatizou ser uma identidade a ser representada.

    Além do combate ao racismo, que Tânia sente na pele todos os dias, a luta em defesa das mulheres é pouco explorada nos debates da Câmara, bem como pautas referentes a pessoas em situação de rua. Estas são temáticas em que a vereadora vem se empenhando para priorizar e aprofundar durante o seu mandato.

    Como vereadora, quais são suas lutas e a bandeira que você levanta neste mandato?

    Audiência Pública em Promoção da Igualdade Racial - Vídeo: Arquivo pessoal / cedida

    Audiência Pública em Promoção da Igualdade Racial - Vídeo: Arquivo pessoal / cedida

    Tânia como é ser a primeira vereadora negra em Florianópolis?

    Quais projetos e trabalhos você já conquistou? Lembra de algum na sua vida ou carreira que tenha ficado marcado? 

    Tânia, com sua experiência neste mandato e na área política, qual a importância de uma mulher negra estar em um lugar de destaque?

    Por você ser uma mulher apaixonada pelo carnaval e por toda a luta que a temática levanta, qual a influência do carnaval na sua atuação política?

    Foto: Rede Social/ Divulgação

    Foto: Rede Social/ Divulgação

    MULHER EM DESTAQUE

    Vanessa da Rosa

    Professora natural de Joinville, tornou-se a segunda deputada negra de Santa Catarina, iniciando seu mandato em 2023. Anteriormente, em 1934, Antonieta de Barros ocupara essa mesma posição. Vanessa assumiu a cadeira em 19 de outubro de 2023 e permaneceu no cargo até 20 de novembro do mesmo ano, enquanto o deputado Padre Pedro estava afastado.

    MULHER NEGRA NA LITERATURA

    A presença da mulher negra na literatura brasileira é uma questão de extrema relevância. Ao longo de toda a história, é perceptível a maneira com que as mulheres negras foram e continuam sendo retratadas, muitas vezes de forma negativa.

    Em diversas obras é comum nos depararmos com a representação de mulheres negras atuando como amas de leite, empregadas, figuras sensualizadas ou mulatas sempre disponíveis ao senhor branco. Essa imagem retrata uma mulher estereotipada, vista como objeto de maneira pejorativa, explorando temas que envolvem sedução, beleza e resistência física.

    No entanto, a literatura escrita por mulheres negras tem desafiado esses estereótipos, ajudando a construir uma identidade negra mais complexa e diversificada. Escritoras negras como Conceição Evaristo, Maria Firmina dos Reis e Carolina Maria de Jesus são referências importantes na literatura brasileira.

    REFERÊNCIAS NA LITERATURA

    Obras de Conceição Evaristo

    Ponciá Vicêncio (2003), Becos da memória (2006), Poemas de recordação e outros movimentos (2008), Insubmissas lágrimas de mulheres (2011), Olhos d’água (2014), Histórias de leves enganos e parecenças (2016) e Canção para ninar menino grande (2018).

    Obras Maria Firmina dos Reis

    Úrsula (1859), Gupeva (1861), Parnaso maranhense (1861), A escrava (1887), Cantos à beira-mar (1871), Hino da libertação dos escravos (1888).

    Obras de Carolina Maria de Jesus

    Quarto de despejo (1960), Casa de alvenaria (1961), Diário de Bitita (1986), Meu estranho diário (1996).

    Conceição Evaristo, por exemplo, é conhecida por sua abordagem acerca da identidade e das diferença na literatura. A autora vê a literatura como um espaço privilegiado de produção e de reprodução simbólica de sentidos, argumentando que a literatura brasileira, desde a sua formação até a contemporaneidade, apresenta um discurso que insiste em proclamar uma diferença negativa para a mulher negra.

    A representação da mulher negra na literatura brasileira é um campo de estudo importante e está em constante evolução, com muitas escritoras negras contribuindo com suas próprias vozes e perspectivas.

    Em Santa Catarina, temos um grande exemplo de mulher negra na área da literatura, Eliane Santana Dias Debus, uma renomada acadêmica e escritora brasileira. Nascida em 1966, na cidade de Sombrio, Santa Catarina, atualmente reside em Florianópolis e tem uma carreira acadêmica notável.

    Foto: Arquivo pessoal/ cedida

    Foto: Arquivo pessoal/ cedida

    A escrita sempre fez parte da formação de Eliane, que desde os seus 16 anos participa de concursos literários e de concursos de poemas que fazem parte de sua composição. Foi a escrita que a motivou a fazer a Faculdade de Letras, já que Eliane desejava muito escrever.

    Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Santa Catarina, com a dissertação Entre vozes e leituras, a recepção da literatura infantil e juvenil (1996), é também doutora em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), com a tese Monteiro Lobato e a formação de leitores (2001).

    Durante o curso de Letras, Eliane participou de vários concursos universitários, principalmente nos dois primeiros anos da sua graduação, o que fez com recebesse grandes premiações e reconhecimento.

    Depois disso, não participou de mais nenhum concurso literário nem mostrou os seus textos para ninguém, principalmente seus poemas por um tempo, mas, no ano passado (2023) publicou dois livros de poemas: No dia molhado faz sol e A biblioteca é ninho dos livros-passarinhos, além de ter participado de mais de 20 antologias poéticas, nacionais e internacionais.

    Atualmente é professora no Departamento de Metodologia de Ensino do Centro de Educação, da Universidade Federal de Santa Catarina, atuando nos cursos de graduação e de pós-graduação. Também integra o Grupo de Estudos de Literatura Infantil e Educação para a Literacia (LIBEC), da Universidade do Minho, Braga/Portugal.

    Como pesquisadora da área de literatura infantil e juvenil, possui vários artigos publicados em revistas nacionais e internacionais, além de livros. Algumas de suas obras: Monteiro Lobato e o leitor, esse conhecido (2004), Festaria de brincança: a leitura literária na Educação Infantil (2006), A literatura Infantil e Juvenil de Língua Portuguesa: diálogos do Brasil e d’além mar (2008), entre outras.

    Foto: Internet/ Divulgação

    Foto: Internet/ Divulgação

    Na literatura de ficção, na década de 1980, recebeu prêmios literários na categoria Poemas e Crônicas nas faculdades de Mandaguari-PR e UNESC-SC. Para crianças, publicou a obra O medo e seus segredos (2008) e É tempo de Pão-por-Deus (2011).

    Eliane também tem contribuído significativamente para a literatura afro-brasileira com o livro Antonieta de Barros (2019), que é de sua autoria e de Annie Ganzala.

    Foto: Alesc/ Rony Costa

    Foto: Alesc/ Rony Costa

    A autora também publicou o seu livro Triolé, Triolé (2019), uma coletânea de 20 poemas de Cruz e Sousa, todos seguindo a estrutura fixa triolé, forma poética de origem francesa que remonta ao século XIII. Os poemas de Cruz e Sousa são caracterizados por uma linguagem humorada e irônica, incorporando elementos de nonsense e jogos rítmicos dos trava-línguas, além de repetições sonoras comuns em poemas de tradição oral, frequentemente encontrados em versos destinados ao público infantil.

    O livro foi contemplado no Prêmio Elisabete Anderle 2020 e distribuído nas escolas de seis municípios do extremo-sul catarinense. Eliane também apresenta uma perspectiva de análise sobre a diversidade étnico-racial na literatura infantil e juvenil.

    MULHER NEGRA NO JORNALISMO

    A conquista do espaço da mulher no jornalismo, assim como em várias outras áreas, foi um processo lento e muitas vezes difícil. As lutas femininas ao longo da história culminaram em importantes conquistas, como o direito ao voto, o acesso às universidades, a participação em competições esportivas e a possibilidade de trabalhar sem precisar da autorização do marido.

    Segundo Alexandrino (2011), a mulher foi inserida no jornalismo no final do século XIX, o que configura um marco importante na imprensa brasileira. Naquela época, as mulheres eram vistas como uma forma de mão de obra barata, pois seu talento não era reconhecido, refletindo as atitudes e os preconceitos de gênero que prevaleciam na sociedade. A inclusão das mulheres na imprensa permitiu que as redações destacassem as conquistas femininas, ajudando a desafiar e mudar os estereótipos de gênero predominantes na época.

    Mas ainda há muito trabalho a ser feito para garantir a igualdade de gênero no jornalismo e em outros campos. Continuar a discussão sobre essas questões e trabalhar para uma representação igualitária é um passo crucial nessa direção. 

    É importante lembrar que a mulher jornalista tem trabalhado incansavelmente para superar todos esses obstáculos e desafiar esses estereótipos. Na atualidade, vemos mulheres atuando em todas as áreas do jornalismo, incluindo esportes, pautas sociais, economia e política.

    Em Florianópolis, capital do Estado de Santa Catarina, temos na área do jornalismo a grande jornalista Amanda Santos, mãe de dois filhos, apresentadora, repórter e colunista da NDTV Record TV, uma emissora de televisão brasileira afiliada da Record, com sede em Florianópolis.

    Desde pequena, Amanda já era fascinada pela área de comunicação, demonstrando continuamente gosto especial por se expressar. Quando criança, a jornalista usava escovas como microfone, cantando e realizando entrevistas. A paixão pela comunicação sempre esteve presente, e essa vocação tem raízes na sua família.

    Alguns anos depois, Amanda descobriu através de sua mãe que seu pai era jornalista e que sua mãe, por ser boa em português, corrigia os textos dele. Embora inicialmente parecesse algo distante, foi a partir dos seus 10 anos e ao longo de sua juventude que Amanda decidiu seguir a carreira de jornalista.

    Foi na faculdade que temas sobre história, ancestralidade, empoderamento negro e feminino levaram Amanda a amar estudar mais sobre questões raciais. Com esse conhecimento adquirido, ela se tornou uma jornalista idealizadora de grandes séries multimídias da atualidade, como é o caso de Vozes da Consciência, de cinco capítulos, que abordou o racismo e a participação dos negros para a evolução do Brasil e de Santa Catarina. Com a série, ganhou 4 moções de aplausos no Estado e a medalha Zumbi dos Palmares na Câmara Municipal de Florianópolis, tendo sido finalista do Prêmio ACAERT com a mesma série.

    Foto: Rede Social/ Divulgação

    Foto: Rede Social/ Divulgação

    Em seguida, Amanda lançou a série Palavra de Mulher, que abordou os índices de violência doméstica e os recursos do Estado para combater esses casos. Ao longo de sua trajetória tratando causas raciais, a jornalista já produziu um total de quatro séries sobre o tema.

    Amanda Santos apresenta a série "Palavra de mulher" no programa Balanço Geral da NDTV - Vídeo: Balanço Geral Florianópolis

    Além das séries, Amanda Santos tem uma coluna na editoria Diversa+ no portal ND, projeto em que ela aborda temas sobre empoderamento negro feminino, tornando-se uma idealizadora de pautas sociais na empresa.

    TRAJETÓRIA PELAS CÂMERAS
    DE AMANDA SANTOS

    Apresentadora na TVCOM

    Estagiária e produtora na RIC

    Foto: Redes Sociais/ Reprodução , image

    Apresentadora e repórter na TV Câmara

    Pauteira e apresentadora na Rede TV Sul

    Mesmo com toda essa movimentação, a luta pela igualdade e pelo racismo continua, inclusive no jornalismo. É essencial continuar a trabalhar para garantir que as mulheres sejam reconhecidas e valorizadas por suas contribuições à profissão. Em sua trajetória como jornalista, Amanda não deixou de ser um alvo, enfrentando desafios e preconceitos. 

    Fora da televisão, Amanda é a primeira diretora negra de igualdade racial da Associação Catarinense de Imprensa. O convite para esse cargo surgiu após o sucesso de uma de suas séries, Gustavo de Lacerda, baseada em manuscritos que a levaram a essa nova posição.

    A Associação Catarinense de Imprensa é uma entidade que nasceu de uma instituição fundada nacionalmente por Gustavo de Lacerda, um jornalista negro natural de Florianópolis. É também através da Associação que a jornalista teve a oportunidade de ministrar palestras sobre a importância do jornalismo negro. 

    Entre uma premiação e outra, além dos reconhecimentos por seus esforços diante das lutas sociais, Amanda Santos recebeu em março de 2023 a Medalha Antonieta de Barros. Essa distinção celebra sua trajetória e o impacto significativo de seu trabalho em prol da justiça social.

    Foto: Arquivo pessoal / Cedida

    Foto: Arquivo pessoal / Cedida

    Além do reconhecimento de seu trabalho com a entrega de medalhas, Amanda atua com vários tipos de eventos, com ênfase em eventos livres que exigem domínio do assunto e habilidade de improvisar, sempre com looks diversificados e identificando a sua ancestrabilidade.

    Em 2022 e 2023, ela foi a apresentadora do RD SUMMIT, um dos maiores eventos de tecnologia, marketing, vendas e e-commerce da América Latina que promove o conhecimento, transforma jornadas e oferece oportunidades de negócios e crescimento para os participantes.

    Foto: Redes Sociais/ Reprodução

    Foto: Redes Sociais/ Reprodução

    REPRESENTATIVIDADE

    Ao longo dos anos, mulheres negras enfrentaram desafios em suas trajetórias acadêmicas e profissionais, muitas vezes lidando com ambientes dominados por homens ou mulheres brancas. Atualmente, podemos reconhecer e valorizar a contribuição dessas mulheres em diversas áreas da sociedade, como no jornalismo, na política e na literatura.

    Segundo a Agência IBGE Notícias, as mulheres pretas ou pardas no Brasil são as mais impactadas pelas desigualdades no mercado de trabalho, enfrentando maiores desafios do que as mulheres brancas nas áreas de educação, renda e representatividade política. No campo acadêmico e científico, por exemplo, a presença de mulheres negras ainda é bastante limitada. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018 a proporção de mulheres brancas com ensino superior completo era de 23,5%, o que representa 2,6 vezes mais do que a proporção de mulheres negras com a mesma formação.

    Contudo, apesar desses desafios, muitas mulheres negras têm lutado para ocupar espaços nas artes, na ciência e na tecnologia, tais como Lélia Gonzales, Ruth de Souza, Djamila Ribeiro, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares e Conceição Evaristo, nomes de destaque que representam a força da mulher negra na sociedade.

    CONHEÇA MULHERES QUE FIZERAM
    E FAZEM A DIFERENÇA

    Foto: Revista Cult

    Foto: Revista Cult

    Lélia Gonzalez

    Nascida em Belo Horizonte em 1º de fevereiro de 1935, foi uma intelectual, autora, ativista e professora brasileira. Ela se destacou como uma das principais referências nos estudos de gênero, raça e classe no Brasil e na América Latina, sendo considerada uma das principais autoras do feminismo negro no país.

    Foto: Globo

    Foto: Globo

    Ruth de Souza

    Atriz brasileira notável, nascida no Rio de Janeiro em 12 de maio de 1921, é considerada uma das grandes damas da dramaturgia brasileira e pioneira na projeção de espaços para artistas negros na televisão, com papéis marcantes que pavimentaram o caminho para futuras gerações.

    Foto: Arquivo pessoal

    Foto: Arquivo pessoal

    Djamila Ribeiro

    Filósofa, escritora, ativista social e acadêmica brasileira, Djamila é reconhecida por sua contribuição significativa ao feminismo negro e à luta antirracista no Brasil. Nascida em Santos, São Paulo, no dia 1º de agosto de 1980, tornou-se uma voz proeminente na defesa dos direitos dos negros e das mulheres.

    Foto: Divulgação/ Internet

    Foto: Divulgação/ Internet

    Carolina Maria de Jesus

    Escritora brasileira de grande importância no país, nascida em 14 de março de 1914, é conhecida por sua obra Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, publicada em 1960, que se tornou um sucesso de vendas e foi traduzida para 13 idiomas.

    Foto: Divulgação/ Internet

    Foto: Divulgação/ Internet

    Elza Soares

    Foi uma das mais icônicas cantoras e compositoras do Brasil, conhecida por sua voz poderosa e presença marcante na música popular brasileira. Nascida em 23 de junho de 1930, sua carreira de mais de seis décadas deixou uma marca indelével em gêneros musicais como samba, jazz, bossa nova e MPB.

    Foto: Divulgação/ Internet

    Foto: Divulgação/ Internet

    Conceição Evaristo

    Renomada escritora, poeta e ensaísta brasileira, nascida em 29 de novembro de 1946 em Belo Horizonte, Minas Gerais, Conceição é uma das mais influentes literatas do movimento pós-modernista no Brasil, com uma produção que abrange poesia, romance, conto e ensaio.

    A luta das mulheres negras ao longo dos anos tem sido fundamental para revisitar a dupla discriminação que enfrentam tanto de gênero quanto de raça. A representatividade desempenha um papel fundamental para garantir que suas vozes sejam ouvidas e suas necessidades atendidas.

    Portanto, trata-se de uma questão de grande relevância que demanda a atenção da sociedade para assegurar a igualdade de oportunidades e direitos para todas as mulheres. Além disso, é essencial inspirar outras mulheres a acreditarem em seu potencial e a buscarem posições de destaque.

    Esta reportagem foi feita pelas alunas Ana Carolina Silva e Barbara Luizy do Amaral, graduandas do curso de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para o Trabalho de Conclusão de Curso com a orientação da Profª. Drª Rita de Cássia Romeiro Paulino no ano de 2024.

    Endereços para contato: anacarollinasvl@gmail.com / barbara.amaraljor@gmail.com

    Referências

    ALEXANDRINO, Viviane. A mulher no jornalismo esportivo: análise da participação feminina no telejornalismo brasileiro. 67 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo) – Faculdade Cristo Rei, Cornélio Procópio, Paraná, 2011.

    AGÊNCIA IBGE NOTÍCIAS. Estatísticas de gênero: responsabilidade por afazeres afeta inserção das mulheres no mercado de trabalho. 2024. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/20232-estatisticas-de-genero-responsabilidade-por-afazeres-afeta-insercao-das-mulheres-no-mercado-de-trabalho. Acesso em: 21 jun. 2024.

    AGÊNCIA IBGE NOTÍCIAS. Mulheres pretas ou pardas gastam mais tempo em tarefas domésticas, participam menos do mercado de trabalho e são mais afetadas pela pobreza. 2024. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/39358-mulheres-pretas-ou-pardas-gastam-mais-tempo-em-tarefas-domesticas-participam-menos-do-mercado-de-trabalho-e-sao-mais-afetadas-pela-pobreza. Acesso em: 21 jun. 2024.

    CÂMARA MUNICIPAL DE FLORIANÓPOLIS. PSOL Tânia Ramos. 2024. Disponível em: https://www.cmf.sc.gov.br/camara/membros/show/290. Acesso em: 20 jun. 2024.

    ESCAVADOR. Joana Célia dos Passos. 2024. Disponível em: https://www.escavador.com/sobre/547675/joana-celia-dos-passos. Acesso em: 20 jun. 2024.

    G1 GLOBO. SC volta a ter uma deputada negra 89 anos após Antonieta de Barros. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2023/10/20/sc-volta-a-ter-uma-deputada-negra-89-anos-apos-antonieta-de-barros.ghtm. Acesso em: 20 jun. 2024.

    MEMÓRIA POLÍTICA DE SANTA CATARINA. Biografia Antonieta de Barros. 2024. Disponível em: https://memoriapolitica.alesc.sc.gov.br/biografia/68-Antonieta_de_Barros. Acesso em: 20 jun. 2024.

    REITORIA UFSC. Vice-reitora Joana Célia dos Passos. 2024. Disponível em: https://reitoria.ufsc.br/vice-reitora. Acesso em: 20 jun. 2024.

    This is a Shorthand story for reviewPublished stories don't show this section.

    GIVE FEEDBACK TO THE STORY OWNER

    This feature is not available in landscape. Please rotate your device.

    GIVE FEEDBACK TO THE STORY OWNER

    More than 4 characters is required
    Name must contain only letters, hyphens, apostrophes, full-stops and spaces
    Wait, that does not look like a valid email address!
    Your feedback was sent to the story owner.
    There is been an issue with submitting your feedback.

    TEST ON ANOTHER DEVICE

    This feature is not available in landscape. Please rotate your device.

    TEST ON ANOTHER DEVICE